
1. TIPO Eumétrico (peso cerca dos 500 kg); mediolínio; subconvexilíneo (de formas arredondadas), de silhueta inscritível num quadrado.
2. ALTURA Média ao garrote, medida com hipómetro, aos 6 anos: fêmeas 1,55m machos 1,60m.
3. PELAGEM As mais apreciadas são a ruça e a castanha, em todos os seus matizes.
4. TEMPERAMENTO Nobre, generoso e ardente, mas sempre dócil e sofredor.
5. ANDAMENTOS Ágeis e elevados, projectando-se para diante, suaves e de grande comodidade para o cavaleiro.
6. APTIDÃO Tendência natural para a concentração, com grande predisposição para exercícios de Alta-Escola e grande coragem e entusiasmo nos exercícios da gineta (combate, caça, toureio, maneio de gado, etc).
7. CABEÇA Bem proporcionada, de comprimento médio, delgada e seca, de ramo mandibular pouco desenvolvido e faces relativamente compridas, de perfil levemente subconvexo, fronte levemente abaulada (sobressaindo entre as arcadas supraciliares), olhos sobre o elíptico, grandes e vivos, expressivos e confiantes. As orelhas são de comprimento médio, finas, delgadas e expressivas.
8. PESCOÇO De comprimento médio, rodado, de crineira delgada, de ligação estreita à cabeça, largo na base, e bem inserido nas espáduas, saindo do garrote sem depressão acentuada.
9. GARROTE Bem destacado e extenso, numa transição suave entre o dorso e o pescoço, sempre levemente mais elevado que a garupa. Nos machos inteiros fica afogado em gordura, mas destaca-se sempre bem das espáduas.
10. PEITORAL De amplidão média, profundo e musculoso.
11. COSTADO Bem desenvolvido, extenso e profundo, costelas levemente arqueadas, inseridas obliquamente na coluna vertebral, proporcionando um flanco curto e cheio.
12. ESPÁDUA Compridas, oblíquas e bem musculadas.
13. DORSO Bem dirigido, tendendo para o horizontal, servindo de traço de união suave entre o garrote e o rim.
14. RIM Curto, largo, levemente convexo, bem ligado ao dorso e à garupa com a qual forma uma linha contínua e perfeitamente harmónica.
15. GARUPA Forte e arredondada, bem porporcionada, ligeiramente oblíqua, de comprimento e largura de dimensões idênticas, de perfil convexo, harmónico, e pontas das ancas pouco evidentes, conferindo à garupa uma secção transversal elíptica. Cauda saindo no seguimento da curvatura da garupa, de crinas sedosas, longas e abundantes.
16. MEMBROS Braço bem musculado, harmoniosamente inclinado.
Antebraço bem aprumado e musculado.
Joelho seco e largo.
Canelas sobre o comprido, secas e com os tendões bem destacados.
Boletos secos, relativamente volumosos, e quase sem machinhos.
Quartelas relativamente compridas e oblíquas.
Cascos de boa constituição, bem conformados e proporcionados, de talões não muito abertos e coroa pouco evidente.
Nádega curta e convexa.
Coxa musculosa, sobre o curto, dirigida de modo que a rótula se situa na vertical da ponta da anca.
Perna sobre o comprido, colocando a ponta do curvilhão na vertical da ponta da nádega.
Curvilhão largo, forte e seco.
Os membros posteriores apresentam ângulos relativamente fechados. 

A existência de vários estudos sobre o tema tem vindo a demonstrar que, o cavalo Lusitano que hoje conhecemos, resulta da evolução e selecção de um cavalo primitivo, cujos mais remotos vestígios foram descobertos, em Portugal, nas quentes planícies do sul do país (grutas do Escoural – XVII a XIII milénio a.C.). Nestes desenhos pré-históricos, é surpreendente a semelhança morfológica com o actual Lusitano, sobretudo na forma característica do pescoço e no perfil convexo do chanfro.
Este cavalo primitivo, de porte ligeiro, mas cuja estatura e estrutura óssea era suficiente para suportar o peso de um homem, constituiu uma autêntica dádiva da natureza para os povos da península, que o domesticaram e o ousaram montar. Rapidamente se transformou num novo e rápido meio de transporte e, para além disso, veio a constituir um poderoso auxílio nas escaramuças que as várias tribos ibéricas travavam constantemente entre si com vista à posse dos territórios. A descoberta, nesta parte do mundo, de armas anti-cavaleiro (alabarda), datadas do V a IV milénio a.C., prova que já se combatia a cavalo há 6 ou 7000 anos. Em nenhum outro local existem evidências da existência de cavalos montados há tanto tempo. Embora noutras paragens, como na Grécia ou no Egipto, também já se utilizasse o cavalo na guerra, essa utilização era sempre feita como animal de tiro, puxando os carros de combate. Isto permite-nos colocar a hipótese da origem ibérica da própria equitação. A confirmar-se, o cavalo Peninsular seria, então, o primeiro cavalo de sela conhecido.
Os cavaleiros ibéricos evoluíam nos campos de batalha de uma forma característica. Tirando enorme partido da obediência e agilidade das suas montadas, movimentavam-se com rápidas transições e bruscas mudanças de direcção, o que dificultava em muito as manobras dos seus inimigos. Esta equitação peculiar, foi dada a conhecer ao mundo pelos Cynetes, quando esta tribo do sudoeste da Península combateu na Grécia contra os Atenienses, auxiliando a vitória dos Espartanos na guerra do Peloponeso (séc. IV a.C.). Tal facto justifica a origem do termo “gineta”, ainda hoje utilizado para classificar esta forma de montar.
Seleccionado, durante séculos, como suporte de uma técnica específica de combater, o cavalo Peninsular vai surpreendendo, pelas suas invulgares capacidades, todos os que contra ele se batem. É o caso de Romanos e Mouros, que o vieram encontrar na Península e prontamente reconheceram as suas inegáveis qualidades.
Mais tarde, em pleno século XV, é levado para Itália pelo exército espanhol, afim de intervir na guerra que o rei Fernando de Aragão aí travava contra os franceses, com vista à conquista do reino de Nápoles. Torna-se conhecido para além dos Pirinéus, e passa a ser intensamente procurado por toda a aristocracia europeia.
Está na base do surgimento da academia de Nápoles, cuja fundação permite que a equitação passe a ser encarada como ciência e comece a ser estudada por insignes mestres que, seguindo o exemplo dado pelo Rei D. Duarte de Portugal (que cerca de cem anos antes, escrevera o primeiro livro que existe sobre o tema na Europa), deixam os seus conhecimentos e experiência registados em preciosos tratados de equitação.
Com o passar dos tempos, a evolução tecnológica acaba por retirar ao cavalo o papel preponderante que assumira ao longo da história. A sua utilização, torna-se quase exclusivamente desportiva, nas várias modalidades hípicas que hoje conhecemos. Por toda a Europa, surgem novas raças de sela, com características exclusivamente adaptadas à equitação desportiva. O cavalo Peninsular é o verdadeiro suporte da constituição de todas elas.
Até aos dias de hoje, Portugal tem mantido uma tradição particular – o toureio a cavalo. Aqui, é necessário continuar a tirar partido de todas as qualidades que tornaram famoso o mais antigo cavalo de sela do mundo. Tal como outrora acontecera nos campos de batalha, a lide de toiros bravos tem permitido aos portugueses preservar a funcionalidade dos seus cavalos.
Por via da manutenção de tradições ancestrais, continuamos a produzir animais em que a robustez, coragem, flexibilidade e docilidade são características determinantes. Considerando que o Lusitano alia, a todas elas, uma rara beleza, poderemos afirmar, sem grande risco, que ele é, provavelmente, o melhor cavalo de sela do mundo.







